{"id":66107,"date":"2026-04-27T16:35:18","date_gmt":"2026-04-27T16:35:18","guid":{"rendered":"https:\/\/nunotomazsantos-psicoterapia.pt\/?p=66107"},"modified":"2026-04-27T16:35:19","modified_gmt":"2026-04-27T16:35:19","slug":"amar-sem-desaparecer","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/nunotomazsantos-psicoterapia.pt\/?p=66107","title":{"rendered":"Amar Sem Desaparecer"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Reflex\u00f5es Para Al\u00e9m do Tempo da Sess\u00e3o<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Depois de mais uma semana de trabalho cl\u00ednico, dei por mim a regressar a uma frase escutada no final de uma sess\u00e3o, dita de forma simples, quase envergonhada, como tantas verdades profundas costumam surgir: \u201cComo \u00e9 que eu continuo a gostar de algu\u00e9m que me fez mal?\u201d Noutra sess\u00e3o, dias depois, surgiu outra formula\u00e7\u00e3o, diferente apenas na superf\u00edcie: \u201cPorque \u00e9 que ainda sinto falta de quem n\u00e3o conseguiu ficar?\u201d Nenhuma destas frases pertence a uma hist\u00f3ria identific\u00e1vel; pertencem \u00e0 experi\u00eancia humana partilhada de quem j\u00e1 amou para al\u00e9m do conforto. E talvez ambas apontem para uma das perguntas mais dif\u00edceis da intimidade: como integrar uma rela\u00e7\u00e3o que nos despertou para o amor, para a depend\u00eancia, para a dor e para o real \u2014 sem continuar preso \u00e0 necessidade de que ela tivesse sido diferente para eu poder ser inteiro? H\u00e1 rela\u00e7\u00f5es que n\u00e3o nos mudam porque foram perfeitas, mas porque nos obrigaram a encontrar o real. Durante muito tempo, talvez se imagine que amar \u00e9 ser salvo da dor, ser finalmente visto sem falha, recebido sem limite, escolhido sem ambival\u00eancia. Talvez se espere que o outro \u2014 terapeuta, amante, amigo, figura de cuidado \u2014 nos reconhe\u00e7a de tal modo que a hist\u00f3ria antiga deixe de pesar. A teoria da vincula\u00e7\u00e3o mostrou que a necessidade de procurar uma figura segura n\u00e3o \u00e9 uma fraqueza infantil que desaparece na idade adulta, mas uma condi\u00e7\u00e3o estruturante do desenvolvimento humano: precisamos de v\u00ednculos suficientemente previs\u00edveis para regular medo, solid\u00e3o, amea\u00e7a e desorganiza\u00e7\u00e3o interna (Bowlby, 1969\/1982, 1988). Isto n\u00e3o significa reduzir o amor adulto \u00e0 inf\u00e2ncia, mas reconhecer que muitas rela\u00e7\u00f5es importantes reativam modelos internos de seguran\u00e7a, abandono, confian\u00e7a, espera e protesto. A psican\u00e1lise relacional acrescenta uma formula\u00e7\u00e3o ainda mais radical: nenhuma rela\u00e7\u00e3o adulta acontece apenas no presente. Entramos nela com mem\u00f3rias expl\u00edcitas, mas tamb\u00e9m com mem\u00f3ria impl\u00edcita; com narrativas que conseguimos contar, mas tamb\u00e9m com formas antigas de estar com o outro que se exprimem no corpo, no medo, no sil\u00eancio, na urg\u00eancia, na vergonha, na raiva e na esperan\u00e7a antes de se exprimirem em palavras (Matos, 2025; Velasco, 2006). Mitchell (1988) deslocou a compreens\u00e3o da mente de uma estrutura isolada para padr\u00f5es relacionais constitu\u00eddos num campo interpessoal; Bromberg (1998) mostrou como diferentes estados do self podem coexistir, dissociar-se e emergir na rela\u00e7\u00e3o; Benjamin (1995) sublinhou que amar implica reconhecer o outro como sujeito, e n\u00e3o apenas como objeto da nossa necessidade. Por isso, quando uma rela\u00e7\u00e3o se torna profundamente importante, n\u00e3o se ativa apenas aquilo que desejamos agora: ativam-se tamb\u00e9m modos antigos de esperar, defender, pedir, atacar, fugir, depender e procurar reconhecimento. Mas h\u00e1 um momento, por vezes brutal, em que a rela\u00e7\u00e3o deixa de funcionar como abrigo idealizado e passa a revelar duas realidades separadas. O outro j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 apenas a resposta imaginada \u00e0 nossa fome; torna-se algu\u00e9m com limites, opacidades, defesas, hist\u00f3ria pr\u00f3pria, capacidade de falhar e tamb\u00e9m de ser afetado por n\u00f3s. E n\u00f3s deixamos de ser apenas quem foi ferido ou quem espera ser salvo; descobrimos que tamb\u00e9m podemos ferir, cobrar, pressionar, assustar, exigir demais ou desaparecer de n\u00f3s pr\u00f3prios para n\u00e3o perder o v\u00ednculo. Esta passagem \u00e9 dolorosa porque destr\u00f3i uma fantasia narc\u00edsica de inoc\u00eancia: a fantasia de que amar nos torna automaticamente bons, de que sofrer nos torna automaticamente justos, de que precisar muito nos d\u00e1 direito a tudo, ou de que o outro, por nos ter tocado, passa a dever-nos uma repara\u00e7\u00e3o ilimitada. A tradi\u00e7\u00e3o das rela\u00e7\u00f5es de objeto ajuda-nos a pensar este ponto com rigor: em Klein, a posi\u00e7\u00e3o depressiva introduz a possibilidade de integrar amor e agressividade em rela\u00e7\u00e3o ao mesmo objeto; em Fairbairn, o sujeito n\u00e3o procura primariamente prazer, mas objeto, rela\u00e7\u00e3o, liga\u00e7\u00e3o, e por isso pode permanecer preso at\u00e9 a objetos maus, porque a aus\u00eancia de objeto pode ser vivida como mais intoler\u00e1vel do que a dor do objeto insatisfat\u00f3rio (Fairbairn, 1952; Klein, 1940; Matos, 2025). Ferenczi tinha j\u00e1 aberto uma via decisiva ao mostrar que a cl\u00ednica n\u00e3o pode ser pensada apenas como conflito intraps\u00edquico: h\u00e1 trauma, h\u00e1 desencontro de linguagens, h\u00e1 necessidade de ternura que pode ser confundida, invadida ou erotizada pela linguagem do adulto, e h\u00e1 sofrimento que nasce quando a rela\u00e7\u00e3o que deveria cuidar se torna excessiva, ausente, intrusiva ou desmentidora (Ferenczi, 1933). Coderch (2012), retomando Ferenczi e Fairbairn, clarifica precisamente esta viragem: o modelo relacional torna-se necess\u00e1rio quando percebemos que muitos sofrimentos n\u00e3o derivam apenas de desejos reprimidos, mas de falhas, d\u00e9fices, aus\u00eancias de resposta, perturba\u00e7\u00f5es na constitui\u00e7\u00e3o do self e experi\u00eancias relacionais que n\u00e3o puderam ser simbolizadas. A rela\u00e7\u00e3o, ent\u00e3o, n\u00e3o \u00e9 mero cen\u00e1rio onde se interpreta o paciente; \u00e9 parte daquilo que adoece e tamb\u00e9m parte daquilo que pode transformar. Mas essa transforma\u00e7\u00e3o n\u00e3o acontece por magia. O real n\u00e3o cura apenas por ser real. O encontro com o real pode curar quando h\u00e1 enquadre, reconhecimento, assimetria bem sustentada, capacidade de pensar o que se passa no campo e possibilidade de reparar; quando isso falha, o real pode desorganizar, porque exp\u00f5e demasiado depressa aquilo que ainda n\u00e3o sab\u00edamos suportar: a nossa necessidade, a nossa raiva, a nossa vergonha de precisar, o nosso medo infantil de n\u00e3o sermos escolhidos, o nosso desejo de sermos especiais para algu\u00e9m que ocupa um lugar imposs\u00edvel. Stolorow e Atwood (1992) descreveram como a dor ps\u00edquica se intensifica quando a experi\u00eancia emocional n\u00e3o encontra acolhimento relacional suficiente. Nesses momentos, n\u00e3o d\u00f3i apenas o que acontece; d\u00f3i o facto de aquilo que acontece confirmar uma organiza\u00e7\u00e3o antiga do mundo: \u201cquando preciso, sou demasiado\u201d; \u201cquando amo, perco-me\u201d; \u201cquando mostro a minha fome, o outro foge\u201d; \u201cquando sou visto, sou abandonado\u201d. E a rela\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m mostra o limite do outro: a sua defesa, a sua fuga, a sua incapacidade de reconhecer, o seu sil\u00eancio, a sua dificuldade em permanecer sem se perder. H\u00e1 v\u00ednculos que come\u00e7am como promessa de cuidado e acabam por expor uma verdade mais dura: ningu\u00e9m \u00e9 s\u00f3 fun\u00e7\u00e3o, ningu\u00e9m \u00e9 s\u00f3 t\u00e9cnica, ningu\u00e9m \u00e9 s\u00f3 paciente, ningu\u00e9m \u00e9 s\u00f3 terapeuta, ningu\u00e9m \u00e9 s\u00f3 forte. Isto n\u00e3o significa apagar os pap\u00e9is; pelo contr\u00e1rio, significa lev\u00e1-los mais a s\u00e9rio. O terapeuta \u00e9 pessoa, mas n\u00e3o \u00e9 \u201capenas pessoa\u201d dentro da rela\u00e7\u00e3o cl\u00ednica; o paciente \u00e9 sujeito ativo, mas n\u00e3o \u00e9 respons\u00e1vel por sustentar a fun\u00e7\u00e3o terap\u00eautica. A cl\u00ednica relacional n\u00e3o autoriza a simetriza\u00e7\u00e3o ing\u00e9nua: reconhece que h\u00e1 duas subjetividades, mas uma delas tem uma responsabilidade profissional, \u00e9tica e t\u00e9cnica acrescida. Como lembra Coderch (2012), a psicoterapia \u00e9 uma rela\u00e7\u00e3o pessoal, mas sistematizada, eticamente enquadrada e orientada para diminuir o sofrimento e favorecer autonomia; por isso, quando a rela\u00e7\u00e3o cl\u00ednica se torna demasiado sim\u00e9trica, aquilo que parece intimidade pode tornar-se confus\u00e3o, aquilo que parece autenticidade pode tornar-se invers\u00e3o de pap\u00e9is, e aquilo que parecia cuidado pode tornar-se peso para quem precisava ser cuidado. H\u00e1 corpos emocionais dentro dos pap\u00e9is. H\u00e1 erotiza\u00e7\u00f5es subtis que n\u00e3o pertencem apenas ao sexo, mas \u00e0 intensidade de querer ser olhado, escolhido, tocado na alma, sentido como \u00fanico. Em <em>Amor, Anseio e Desejo: Sobre a Subjectividade Er\u00f3tica do Analista<\/em>, Steven Kuchuck mostra que a intimidade cl\u00ednica convoca dimens\u00f5es er\u00f3ticas amplas \u2014 amorosas, corporais, rom\u00e2nticas, identificat\u00f3rias, transferenciais e contratransferenciais \u2014 e que a recusa defensiva de reconhecer essas dimens\u00f5es pode empobrecer a compreens\u00e3o cl\u00ednica e favorecer dissocia\u00e7\u00e3o, vergonha ou impasse (Kuchuck, s.d.). O er\u00f3tico, aqui, n\u00e3o \u00e9 necessariamente genital; pode ser o estremecimento de ser finalmente importante para algu\u00e9m, a excita\u00e7\u00e3o silenciosa de ser pensado, a esperan\u00e7a corporal de caber no olhar de outro, o desejo de que uma mente toque o nosso corpo ps\u00edquico e de que um corpo simb\u00f3lico d\u00ea consist\u00eancia \u00e0 nossa mente. Kuchuck lembra ainda que, em certas d\u00edades, especialmente masculinas, o material er\u00f3tico pode ser dissociado ou n\u00e3o reconhecido, e que a dificuldade do analista em tolerar amor, desejo, admira\u00e7\u00e3o, agressividade ou rivalidade pode bloquear tamb\u00e9m a possibilidade de o paciente os pensar. H\u00e1 depend\u00eancias antigas que regressam com nova roupa \u2014 isto \u00e9, modos prim\u00e1rios de precisar de colo, resposta, espelhamento, prote\u00e7\u00e3o, ternura, escolha e perman\u00eancia que reaparecem em rela\u00e7\u00f5es adultas ou cl\u00ednicas sem se apresentarem como \u201cinf\u00e2ncia\u201d, mas como urg\u00eancia presente. H\u00e1 fome de colo que se confunde com amor. H\u00e1 amor que se mistura com salva\u00e7\u00e3o. H\u00e1 salva\u00e7\u00e3o que se transforma em cobran\u00e7a. E h\u00e1 cobran\u00e7a que, no fundo, pede apenas: n\u00e3o me abandones depois de me teres visto \u2014 isto \u00e9, depois de teres conhecido a minha necessidade, a minha vergonha, o meu desejo, a minha raiva, a minha depend\u00eancia e aquilo que em mim costuma ficar escondido para eu continuar a ser am\u00e1vel. Talvez uma das maiores vergonhas humanas seja esta: precisar muito de algu\u00e9m. Precisar a ponto de se perder clareza. Precisar a ponto de aceitar pouco, esperar demais, interpretar tudo, desculpar tudo, ou atacar antes de ser abandonado. Winnicott (1974) ajuda-nos aqui quando fala do medo de colapso: muitas vezes, aquilo que tememos como cat\u00e1strofe futura \u00e9, na realidade, a sombra de um colapso j\u00e1 vivido, mas ainda n\u00e3o integrado como experi\u00eancia ps\u00edquica. O sujeito teme que algo aconte\u00e7a, mas esse \u201calgo\u201d j\u00e1 aconteceu num tempo em que n\u00e3o havia ainda capacidade para o representar. Por isso, certas urg\u00eancias afetivas atuais n\u00e3o s\u00e3o simples exageros do presente; s\u00e3o tentativas de dar forma a experi\u00eancias antigas que ficaram sem linguagem. Matos (2025), ao articular mem\u00f3ria impl\u00edcita e experi\u00eancia traum\u00e1tica, descreve precisamente este modo como viv\u00eancias nucleares podem permanecer arquivadas num inconsciente prim\u00e1rio, sensorial, irrepresent\u00e1vel, repetindo-se em rela\u00e7\u00f5es atuais sem que a pessoa consiga reconhecer a liga\u00e7\u00e3o entre o acontecimento presente e o trauma relacional anterior. Mas h\u00e1 outra vergonha igualmente profunda: perceber que tamb\u00e9m podemos assustar quem amamos. Que a nossa dor pode ter peso. Que a nossa intensidade pode tocar limites reais. Que n\u00e3o somos apenas feridos; tamb\u00e9m temos impacto. Esta consci\u00eancia n\u00e3o serve para nos culpar. Serve para nos humanizar. Porque a maturidade n\u00e3o nasce quando encontramos o culpado absoluto, mas quando conseguimos suportar uma verdade mais complexa: houve amor e houve falha; houve presen\u00e7a e houve dano; houve encontro e houve retraumatiza\u00e7\u00e3o; houve beleza e houve colapso; houve responsabilidade assim\u00e9trica e, ainda assim, houve dois seres humanos dentro da cena. Nas rela\u00e7\u00f5es fora da cl\u00ednica, esta verdade obriga-nos a pensar reciprocidade, limites, cuidado m\u00fatuo e escolha. Nas rela\u00e7\u00f5es cl\u00ednicas, obriga-nos a acrescentar outra camada: a fun\u00e7\u00e3o terap\u00eautica n\u00e3o pode ser abandonada s\u00f3 porque o terapeuta tamb\u00e9m sente, se defende, se comove, se assusta ou se v\u00ea implicado. O que o paciente traz \u2014 depend\u00eancia, erotiza\u00e7\u00e3o, raiva, exig\u00eancia, medo de abandono, desejo de ser especial \u2014 n\u00e3o \u00e9 uma infra\u00e7\u00e3o ao v\u00ednculo; \u00e9 material cl\u00ednico. Pode ser dif\u00edcil, pode ser intenso, pode exigir supervis\u00e3o, limites, nomea\u00e7\u00e3o, humildade t\u00e9cnica, ou at\u00e9 encaminhamento; mas n\u00e3o deve ser simplesmente devolvido ao paciente como se o problema fosse ele ter sentido demais. O perigo est\u00e1 em transformar a complexidade numa absolvi\u00e7\u00e3o. N\u00e3o \u00e9 porque o outro tamb\u00e9m sofreu que deixou de ter responsabilidade. N\u00e3o \u00e9 porque houve liga\u00e7\u00e3o que a ferida deixa de importar. N\u00e3o \u00e9 porque algu\u00e9m fez mais do que era t\u00e9cnico que isso se torna necessariamente bom. \u00c0s vezes, quando uma rela\u00e7\u00e3o assim\u00e9trica se torna demasiado sim\u00e9trica, aquilo que parecia intimidade torna-se confus\u00e3o; aquilo que parecia verdade torna-se invers\u00e3o de pap\u00e9is; aquilo que parecia cuidado torna-se peso para quem precisava ser cuidado. E, no entanto, tamb\u00e9m seria pobre dizer que nada foi verdadeiro. H\u00e1 rela\u00e7\u00f5es que nos ferem precisamente porque tocaram zonas vivas. O desafio \u00e9 n\u00e3o transformar o ferimento em destino. N\u00e3o fazer do passado a autoridade final sobre tudo o que ainda podemos ser. Talvez amar de forma mais madura seja conseguir dizer: gosto de ti, mesmo sabendo que me magoaste; reconhe\u00e7o o que foi importante, sem negar o que foi destrutivo; n\u00e3o preciso odiar-te para me proteger; n\u00e3o preciso idealizar-te para preservar o valor do que vivi; n\u00e3o preciso que voltes para que aquilo tenha existido; n\u00e3o preciso desaparecer para continuar a amar. Esta \u00e9 talvez a fronteira mais dif\u00edcil: amar sem autoabandono. Porque muitos de n\u00f3s aprendemos cedo que o v\u00ednculo se mant\u00e9m \u00e0 custa de n\u00f3s pr\u00f3prios. Calamos a necessidade para n\u00e3o incomodar. Aceitamos a aus\u00eancia para n\u00e3o parecer exigentes. Tornamo-nos compreensivos demais para n\u00e3o perder o lugar. Chamamos profundidade ao sofrimento. Chamamos lealdade \u00e0 anula\u00e7\u00e3o. Chamamos amor \u00e0 espera infinita por algu\u00e9m que talvez nunca consiga reconhecer-nos como precis\u00e1vamos. Klein ajuda-nos a pensar como amor e agressividade se entrela\u00e7am quando o objeto amado se torna tamb\u00e9m objeto frustrante; Fairbairn permite-nos compreender por que raz\u00e3o o sujeito pode permanecer agarrado ao objeto insatisfat\u00f3rio, pois a necessidade de objeto pode ser mais forte do que a procura de prazer; Ferenczi lembra-nos que a ternura ferida pode ficar presa a linguagens que a confundem; Coderch recoloca tudo isto no horizonte de um modelo relacional em que o sofrimento \u00e9 insepar\u00e1vel das falhas, intrus\u00f5es e aus\u00eancias de resposta que organizam o self. Mas o amor, quando amadurece, n\u00e3o nos pede que deixemos de existir. Pede-nos vulnerabilidade, sim; entrega, sim; disponibilidade para sermos afetados, sim; mas n\u00e3o exige que entreguemos a nossa dignidade como prova. Amar algu\u00e9m n\u00e3o pode ser uma continua\u00e7\u00e3o da ferida original. N\u00e3o pode ser o velho pacto silencioso: eu fico pequeno para que tu fiques. A certa altura, a pergunta deixa de ser \u201co que fui eu para o outro?\u201d e passa a ser \u201cquem me torno eu depois desta rela\u00e7\u00e3o?\u201d. Essa pergunta \u00e9 dolorosa porque nos retira da espera. Obriga-nos a deixar de viver apenas em fun\u00e7\u00e3o da resposta que nunca veio, da repara\u00e7\u00e3o que talvez n\u00e3o seja poss\u00edvel, da explica\u00e7\u00e3o que talvez nunca chegue. E, no entanto, \u00e9 a\u00ed que come\u00e7a uma liberdade diferente. N\u00e3o a liberdade fria de quem nunca precisou, mas a liberdade quente de quem precisou muito, amou muito, sofreu muito, e ainda assim come\u00e7a a regressar a si. Talvez a integra\u00e7\u00e3o seja isto: guardar o que foi vivo sem continuar preso ao que ficou por reparar. Aceitar que certas rela\u00e7\u00f5es n\u00e3o voltam, mas continuam a trabalhar dentro de n\u00f3s. Admitir que algu\u00e9m pode ter sido importante sem ter sido suficientemente capaz. Reconhecer que fomos tocados sem fazer disso uma pris\u00e3o. Deixar que a mem\u00f3ria deixe de ser tribunal e se torne mat\u00e9ria de crescimento. O passado n\u00e3o desaparece; transforma-se quando ganha linguagem. O que antes era repeti\u00e7\u00e3o pode tornar-se consci\u00eancia. O que antes era depend\u00eancia pode tornar-se crit\u00e9rio. O que antes era vergonha pode tornar-se ternura por n\u00f3s pr\u00f3prios \u2014 uma ternura que n\u00e3o desculpa tudo, mas reconhece e valida a dor sem nos reduzir a ela. O que antes era pergunta dirigida ao outro \u2014 \u201cviste-me?, senti-te?, importei?\u201d \u2014 pode, pouco a pouco, transformar-se numa afirma\u00e7\u00e3o interna: eu vivi, eu senti, eu amei, eu sofri, eu aprendi, eu continuo. Talvez seja isto que resta quando uma rela\u00e7\u00e3o profunda n\u00e3o pode ser reparada como gostar\u00edamos: a possibilidade de n\u00e3o desperdi\u00e7ar a dor. N\u00e3o para a romantizar, n\u00e3o para a chamar destino, n\u00e3o para a tornar bela \u00e0 for\u00e7a, mas para a converter em lucidez. Amar \u2014 querer profundamente bem a algu\u00e9m, desejar-lhe exist\u00eancia, import\u00e2ncia e lugar, sem fazer da sua presen\u00e7a a condi\u00e7\u00e3o da nossa pr\u00f3pria sobreviv\u00eancia \u2014 pode ensinar-nos o real. Perder algu\u00e9m pode ensinar-nos o limite. Ser ferido pode ensinar-nos a nunca mais confundir liga\u00e7\u00e3o com anula\u00e7\u00e3o. E talvez a forma mais madura de continuar a amar seja esta: deixar que o outro permane\u00e7a importante na nossa hist\u00f3ria, mas j\u00e1 n\u00e3o soberano sobre a nossa vida.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Refer\u00eancias<\/strong><br>Benjamin, J. (1995). <em>Like subjects, love objects: Essays on recognition and sexual difference<\/em>. Yale University Press.<br>Bowlby, J. (1969\/1982). <em>Attachment and loss: Vol. 1. Attachment<\/em> (2nd ed.). Basic Books.<br>Bowlby, J. (1988). <em>A secure base: Parent-child attachment and healthy human development<\/em>. Basic Books.<br>Bromberg, P. M. (1998). <em>Standing in the spaces: Essays on clinical process, trauma, and dissociation<\/em>. Analytic Press.<br>Coderch, J. (2012). <em>La pr\u00e1ctica de la psicoterapia relacional<\/em>. \u00c1gora Relacional.<br>Fairbairn, W. R. D. (1952). <em>Psychoanalytic studies of the personality<\/em>. Routledge &amp; Kegan Paul.<br>Ferenczi, S. (1933). Confusion of tongues between adults and the child. In <em>Final contributions to the problems and methods of psycho-analysis<\/em>.<br>Klein, M. (1940). Mourning and its relation to manic-depressive states. <em>International Journal of Psychoanalysis, 21<\/em>, 125\u2013153.<br>Kuchuck, S. (s.d.). <em>Amor, anseio e desejo: Sobre a subjectividade er\u00f3tica do analista<\/em> (B. Cardoso, Trad.).<br>Matos, M. (2025). <em>Psican\u00e1lise relacional: Colet\u00e2nea de confer\u00eancias<\/em>. PsiRelacional.<br>Mitchell, S. A. (1988). <em>Relational concepts in psychoanalysis: An integration<\/em>. Harvard University Press.<br>Stolorow, R. D., &amp; Atwood, G. E. (1992). <em>Contexts of being: The intersubjective foundations of psychological life<\/em>. Analytic Press.<br>Winnicott, D. W. (1974). Fear of breakdown. <em>International Review of Psycho-Analysis, 1<\/em>, 103\u2013107.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Reflex\u00f5es Para Al\u00e9m do Tempo da Sess\u00e3o Depois de mais uma semana de trabalho cl\u00ednico, dei por mim a regressar a uma frase escutada no final de uma sess\u00e3o, dita&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"om_disable_all_campaigns":false,"_monsterinsights_skip_tracking":false,"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-66107","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-uncategorized"],"aioseo_notices":[],"aioseo_head":"\n\t\t<!-- All in One SEO 5.0.4 - aioseo.com -->\n\t<meta name=\"description\" content=\"Reflex\u00f5es Para Al\u00e9m do Tempo da Sess\u00e3o Depois de mais uma semana de trabalho cl\u00ednico, dei por mim a regressar a uma frase escutada no final de uma sess\u00e3o, dita de forma simples, quase envergonhada, como tantas verdades profundas costumam surgir: \u201cComo \u00e9 que eu continuo a gostar de algu\u00e9m que me fez mal?\u201d Noutra Amar sem desaparecer: psicoterapia para depend\u00eancia afetiva, dor relacional, autoestima e v\u00ednculos saud\u00e1veis. Psic\u00f3logo cl\u00ednico em Lisboa.\" \/>\n\t<meta name=\"robots\" content=\"max-image-preview:large\" \/>\n\t<meta name=\"author\" content=\"Nuno Tomaz Santos\"\/>\n\t<meta name=\"google-site-verification\" content=\"InW_P7PaLU5dm2urBV_fe90cMW07VegadZvuaLOXhZo\" \/>\n\t<link rel=\"canonical\" href=\"https:\/\/nunotomazsantos-psicoterapia.pt\/?p=66107\" \/>\n\t\t<meta name=\"generator\" content=\"All in One SEO (AIOSEO) 5.0.4\" \/>\n\t\t<meta property=\"og:locale\" content=\"pt_PT\" \/>\n\t\t<meta property=\"og:site_name\" content=\"Nuno Tomaz Santos - Psicoterapia - Psic\u00f3logo cl\u00ednico, Sexologia Cl\u00ednica, Psicoterapeuta Relacional\" \/>\n\t\t<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n\t\t<meta property=\"og:title\" content=\"Amar Sem Desaparecer - Nuno Tomaz Santos - Psicoterapia\" \/>\n\t\t<meta property=\"og:description\" content=\"Reflex\u00f5es Para Al\u00e9m do Tempo da Sess\u00e3o Depois de mais uma semana de trabalho cl\u00ednico, dei por mim a regressar a uma frase escutada no final de uma sess\u00e3o, dita de forma simples, quase envergonhada, como tantas verdades profundas costumam surgir: \u201cComo \u00e9 que eu continuo a gostar de algu\u00e9m que me fez mal?\u201d Noutra Amar sem desaparecer: psicoterapia para depend\u00eancia afetiva, dor relacional, autoestima e v\u00ednculos saud\u00e1veis. Psic\u00f3logo cl\u00ednico em Lisboa.\" \/>\n\t\t<meta property=\"og:url\" content=\"https:\/\/nunotomazsantos-psicoterapia.pt\/?p=66107\" \/>\n\t\t<meta property=\"article:published_time\" content=\"2026-04-27T16:35:18+00:00\" \/>\n\t\t<meta property=\"article:modified_time\" content=\"2026-04-27T16:35:19+00:00\" \/>\n\t\t<meta property=\"article:publisher\" content=\"https:\/\/www.facebook.com\/nuno.tomaz.santos.psicologia.psicoterapi\" \/>\n\t\t<meta property=\"article:author\" content=\"https:\/\/www.facebook.com\/share\/1GyuaZZZCF\/\" \/>\n\t\t<meta name=\"twitter:card\" content=\"summary_large_image\" \/>\n\t\t<meta name=\"twitter:title\" content=\"Amar Sem Desaparecer - Nuno Tomaz Santos - Psicoterapia\" \/>\n\t\t<meta name=\"twitter:description\" content=\"Reflex\u00f5es Para Al\u00e9m do Tempo da Sess\u00e3o Depois de mais uma semana de trabalho cl\u00ednico, dei por mim a regressar a uma frase escutada no final de uma sess\u00e3o, dita de forma simples, quase envergonhada, como tantas verdades profundas costumam surgir: \u201cComo \u00e9 que eu continuo a gostar de algu\u00e9m que me fez mal?\u201d Noutra Amar sem desaparecer: psicoterapia para depend\u00eancia afetiva, dor relacional, autoestima e v\u00ednculos saud\u00e1veis. Psic\u00f3logo cl\u00ednico em Lisboa.\" \/>\n\t\t<script type=\"application\/ld+json\" class=\"aioseo-schema\">\n\t\t\t{\"@context\":\"https:\\\/\\\/schema.org\",\"@graph\":[{\"@type\":\"BlogPosting\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/nunotomazsantos-psicoterapia.pt\\\/?p=66107#blogposting\",\"name\":\"Amar Sem Desaparecer - Nuno Tomaz Santos - Psicoterapia\",\"headline\":\"Amar Sem Desaparecer\",\"author\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/nunotomazsantos-psicoterapia.pt\\\/?author=2#author\"},\"publisher\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/nunotomazsantos-psicoterapia.pt\\\/#organization\"},\"datePublished\":\"2026-04-27T16:35:18+00:00\",\"dateModified\":\"2026-04-27T16:35:19+00:00\",\"inLanguage\":\"pt-PT\",\"mainEntityOfPage\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/nunotomazsantos-psicoterapia.pt\\\/?p=66107#webpage\"},\"isPartOf\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/nunotomazsantos-psicoterapia.pt\\\/?p=66107#webpage\"},\"articleSection\":\"Uncategorized\"},{\"@type\":\"BreadcrumbList\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/nunotomazsantos-psicoterapia.pt\\\/?p=66107#breadcrumblist\",\"itemListElement\":[{\"@type\":\"ListItem\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/nunotomazsantos-psicoterapia.pt\\\/#listItem\",\"position\":1,\"name\":\"Home\",\"item\":\"https:\\\/\\\/nunotomazsantos-psicoterapia.pt\\\/\",\"nextItem\":{\"@type\":\"ListItem\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/nunotomazsantos-psicoterapia.pt\\\/?cat=1#listItem\",\"name\":\"Uncategorized\"}},{\"@type\":\"ListItem\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/nunotomazsantos-psicoterapia.pt\\\/?cat=1#listItem\",\"position\":2,\"name\":\"Uncategorized\",\"item\":\"https:\\\/\\\/nunotomazsantos-psicoterapia.pt\\\/?cat=1\",\"nextItem\":{\"@type\":\"ListItem\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/nunotomazsantos-psicoterapia.pt\\\/?p=66107#listItem\",\"name\":\"Amar Sem Desaparecer\"},\"previousItem\":{\"@type\":\"ListItem\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/nunotomazsantos-psicoterapia.pt\\\/#listItem\",\"name\":\"Home\"}},{\"@type\":\"ListItem\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/nunotomazsantos-psicoterapia.pt\\\/?p=66107#listItem\",\"position\":3,\"name\":\"Amar Sem Desaparecer\",\"previousItem\":{\"@type\":\"ListItem\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/nunotomazsantos-psicoterapia.pt\\\/?cat=1#listItem\",\"name\":\"Uncategorized\"}}]},{\"@type\":\"Organization\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/nunotomazsantos-psicoterapia.pt\\\/#organization\",\"name\":\"Nuno Tomaz Santos - Psicoterapia\",\"description\":\"Psic\\u00f3logo cl\\u00ednico, Sexologia Cl\\u00ednica, Psicoterapeuta Relacional\",\"url\":\"https:\\\/\\\/nunotomazsantos-psicoterapia.pt\\\/\",\"telephone\":\"+351965201968\",\"sameAs\":[\"https:\\\/\\\/www.facebook.com\\\/nuno.tomaz.santos.psicologia.psicoterapi\",\"https:\\\/\\\/www.instagram.com\\\/nuno.tomaz.santos.psicologia\\\/\",\"https:\\\/\\\/www.linkedin.com\\\/in\\\/nuno-tomaz-santos-26952815\\\/\"]},{\"@type\":\"Person\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/nunotomazsantos-psicoterapia.pt\\\/?author=2#author\",\"url\":\"https:\\\/\\\/nunotomazsantos-psicoterapia.pt\\\/?author=2\",\"name\":\"Nuno Tomaz Santos\",\"image\":{\"@type\":\"ImageObject\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/nunotomazsantos-psicoterapia.pt\\\/?p=66107#authorImage\",\"url\":\"https:\\\/\\\/secure.gravatar.com\\\/avatar\\\/7afe25209bff402fb980f783b013058dbf17d4d2f1796d98967ae5d7c9b0313d?s=96&d=mm&r=g\",\"width\":96,\"height\":96,\"caption\":\"Nuno Tomaz Santos\"},\"sameAs\":[\"https:\\\/\\\/www.facebook.com\\\/share\\\/1GyuaZZZCF\\\/\",\"https:\\\/\\\/www.instagram.com\\\/nuno.tomaz.santos.psicologia?igsh=cGI2MzJpMHNleWVz\",\"https:\\\/\\\/www.linkedin.com\\\/in\\\/nuno-tomaz-santos-26952815?utm_source=share&utm_campaign=share_via&utm_content=profile&utm_medium=android_app\"]},{\"@type\":\"WebPage\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/nunotomazsantos-psicoterapia.pt\\\/?p=66107#webpage\",\"url\":\"https:\\\/\\\/nunotomazsantos-psicoterapia.pt\\\/?p=66107\",\"name\":\"Amar Sem Desaparecer - Nuno Tomaz Santos - Psicoterapia\",\"description\":\"Reflex\\u00f5es Para Al\\u00e9m do Tempo da Sess\\u00e3o Depois de mais uma semana de trabalho cl\\u00ednico, dei por mim a regressar a uma frase escutada no final de uma sess\\u00e3o, dita de forma simples, quase envergonhada, como tantas verdades profundas costumam surgir: \\u201cComo \\u00e9 que eu continuo a gostar de algu\\u00e9m que me fez mal?\\u201d Noutra Amar sem desaparecer: psicoterapia para depend\\u00eancia afetiva, dor relacional, autoestima e v\\u00ednculos saud\\u00e1veis. Psic\\u00f3logo cl\\u00ednico em Lisboa.\",\"inLanguage\":\"pt-PT\",\"isPartOf\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/nunotomazsantos-psicoterapia.pt\\\/#website\"},\"breadcrumb\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/nunotomazsantos-psicoterapia.pt\\\/?p=66107#breadcrumblist\"},\"author\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/nunotomazsantos-psicoterapia.pt\\\/?author=2#author\"},\"creator\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/nunotomazsantos-psicoterapia.pt\\\/?author=2#author\"},\"datePublished\":\"2026-04-27T16:35:18+00:00\",\"dateModified\":\"2026-04-27T16:35:19+00:00\"},{\"@type\":\"WebSite\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/nunotomazsantos-psicoterapia.pt\\\/#website\",\"url\":\"https:\\\/\\\/nunotomazsantos-psicoterapia.pt\\\/\",\"name\":\"Nuno Tomaz Santos - Psicoterapia\",\"description\":\"Psic\\u00f3logo cl\\u00ednico, Sexologia Cl\\u00ednica, Psicoterapeuta Relacional\",\"inLanguage\":\"pt-PT\",\"publisher\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/nunotomazsantos-psicoterapia.pt\\\/#organization\"}}]}\n\t\t<\/script>\n\t\t<!-- All in One SEO -->\n\n","aioseo_head_json":{"title":"Amar Sem Desaparecer - Nuno Tomaz Santos - Psicoterapia","description":"Reflex\u00f5es Para Al\u00e9m do Tempo da Sess\u00e3o Depois de mais uma semana de trabalho cl\u00ednico, dei por mim a regressar a uma frase escutada no final de uma sess\u00e3o, dita de forma simples, quase envergonhada, como tantas verdades profundas costumam surgir: \u201cComo \u00e9 que eu continuo a gostar de algu\u00e9m que me fez mal?\u201d Noutra Amar sem desaparecer: psicoterapia para depend\u00eancia afetiva, dor relacional, autoestima e v\u00ednculos saud\u00e1veis. Psic\u00f3logo cl\u00ednico em Lisboa.","canonical_url":"https:\/\/nunotomazsantos-psicoterapia.pt\/?p=66107","robots":"max-image-preview:large","keywords":"","webmasterTools":{"google-site-verification":"InW_P7PaLU5dm2urBV_fe90cMW07VegadZvuaLOXhZo","miscellaneous":""},"schema":{"@context":"https:\/\/schema.org","@graph":[{"@type":"BlogPosting","@id":"https:\/\/nunotomazsantos-psicoterapia.pt\/?p=66107#blogposting","name":"Amar Sem Desaparecer - Nuno Tomaz Santos - Psicoterapia","headline":"Amar Sem Desaparecer","author":{"@id":"https:\/\/nunotomazsantos-psicoterapia.pt\/?author=2#author"},"publisher":{"@id":"https:\/\/nunotomazsantos-psicoterapia.pt\/#organization"},"datePublished":"2026-04-27T16:35:18+00:00","dateModified":"2026-04-27T16:35:19+00:00","inLanguage":"pt-PT","mainEntityOfPage":{"@id":"https:\/\/nunotomazsantos-psicoterapia.pt\/?p=66107#webpage"},"isPartOf":{"@id":"https:\/\/nunotomazsantos-psicoterapia.pt\/?p=66107#webpage"},"articleSection":"Uncategorized"},{"@type":"BreadcrumbList","@id":"https:\/\/nunotomazsantos-psicoterapia.pt\/?p=66107#breadcrumblist","itemListElement":[{"@type":"ListItem","@id":"https:\/\/nunotomazsantos-psicoterapia.pt\/#listItem","position":1,"name":"Home","item":"https:\/\/nunotomazsantos-psicoterapia.pt\/","nextItem":{"@type":"ListItem","@id":"https:\/\/nunotomazsantos-psicoterapia.pt\/?cat=1#listItem","name":"Uncategorized"}},{"@type":"ListItem","@id":"https:\/\/nunotomazsantos-psicoterapia.pt\/?cat=1#listItem","position":2,"name":"Uncategorized","item":"https:\/\/nunotomazsantos-psicoterapia.pt\/?cat=1","nextItem":{"@type":"ListItem","@id":"https:\/\/nunotomazsantos-psicoterapia.pt\/?p=66107#listItem","name":"Amar Sem Desaparecer"},"previousItem":{"@type":"ListItem","@id":"https:\/\/nunotomazsantos-psicoterapia.pt\/#listItem","name":"Home"}},{"@type":"ListItem","@id":"https:\/\/nunotomazsantos-psicoterapia.pt\/?p=66107#listItem","position":3,"name":"Amar Sem Desaparecer","previousItem":{"@type":"ListItem","@id":"https:\/\/nunotomazsantos-psicoterapia.pt\/?cat=1#listItem","name":"Uncategorized"}}]},{"@type":"Organization","@id":"https:\/\/nunotomazsantos-psicoterapia.pt\/#organization","name":"Nuno Tomaz Santos - Psicoterapia","description":"Psic\u00f3logo cl\u00ednico, Sexologia Cl\u00ednica, Psicoterapeuta Relacional","url":"https:\/\/nunotomazsantos-psicoterapia.pt\/","telephone":"+351965201968","sameAs":["https:\/\/www.facebook.com\/nuno.tomaz.santos.psicologia.psicoterapi","https:\/\/www.instagram.com\/nuno.tomaz.santos.psicologia\/","https:\/\/www.linkedin.com\/in\/nuno-tomaz-santos-26952815\/"]},{"@type":"Person","@id":"https:\/\/nunotomazsantos-psicoterapia.pt\/?author=2#author","url":"https:\/\/nunotomazsantos-psicoterapia.pt\/?author=2","name":"Nuno Tomaz Santos","image":{"@type":"ImageObject","@id":"https:\/\/nunotomazsantos-psicoterapia.pt\/?p=66107#authorImage","url":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/7afe25209bff402fb980f783b013058dbf17d4d2f1796d98967ae5d7c9b0313d?s=96&d=mm&r=g","width":96,"height":96,"caption":"Nuno Tomaz Santos"},"sameAs":["https:\/\/www.facebook.com\/share\/1GyuaZZZCF\/","https:\/\/www.instagram.com\/nuno.tomaz.santos.psicologia?igsh=cGI2MzJpMHNleWVz","https:\/\/www.linkedin.com\/in\/nuno-tomaz-santos-26952815?utm_source=share&utm_campaign=share_via&utm_content=profile&utm_medium=android_app"]},{"@type":"WebPage","@id":"https:\/\/nunotomazsantos-psicoterapia.pt\/?p=66107#webpage","url":"https:\/\/nunotomazsantos-psicoterapia.pt\/?p=66107","name":"Amar Sem Desaparecer - Nuno Tomaz Santos - Psicoterapia","description":"Reflex\u00f5es Para Al\u00e9m do Tempo da Sess\u00e3o Depois de mais uma semana de trabalho cl\u00ednico, dei por mim a regressar a uma frase escutada no final de uma sess\u00e3o, dita de forma simples, quase envergonhada, como tantas verdades profundas costumam surgir: \u201cComo \u00e9 que eu continuo a gostar de algu\u00e9m que me fez mal?\u201d Noutra Amar sem desaparecer: psicoterapia para depend\u00eancia afetiva, dor relacional, autoestima e v\u00ednculos saud\u00e1veis. Psic\u00f3logo cl\u00ednico em Lisboa.","inLanguage":"pt-PT","isPartOf":{"@id":"https:\/\/nunotomazsantos-psicoterapia.pt\/#website"},"breadcrumb":{"@id":"https:\/\/nunotomazsantos-psicoterapia.pt\/?p=66107#breadcrumblist"},"author":{"@id":"https:\/\/nunotomazsantos-psicoterapia.pt\/?author=2#author"},"creator":{"@id":"https:\/\/nunotomazsantos-psicoterapia.pt\/?author=2#author"},"datePublished":"2026-04-27T16:35:18+00:00","dateModified":"2026-04-27T16:35:19+00:00"},{"@type":"WebSite","@id":"https:\/\/nunotomazsantos-psicoterapia.pt\/#website","url":"https:\/\/nunotomazsantos-psicoterapia.pt\/","name":"Nuno Tomaz Santos - Psicoterapia","description":"Psic\u00f3logo cl\u00ednico, Sexologia Cl\u00ednica, Psicoterapeuta Relacional","inLanguage":"pt-PT","publisher":{"@id":"https:\/\/nunotomazsantos-psicoterapia.pt\/#organization"}}]},"og:locale":"pt_PT","og:site_name":"Nuno Tomaz Santos - Psicoterapia - Psic\u00f3logo cl\u00ednico, Sexologia Cl\u00ednica, Psicoterapeuta Relacional","og:type":"article","og:title":"Amar Sem Desaparecer - Nuno Tomaz Santos - Psicoterapia","og:description":"Reflex\u00f5es Para Al\u00e9m do Tempo da Sess\u00e3o Depois de mais uma semana de trabalho cl\u00ednico, dei por mim a regressar a uma frase escutada no final de uma sess\u00e3o, dita de forma simples, quase envergonhada, como tantas verdades profundas costumam surgir: \u201cComo \u00e9 que eu continuo a gostar de algu\u00e9m que me fez mal?\u201d Noutra Amar sem desaparecer: psicoterapia para depend\u00eancia afetiva, dor relacional, autoestima e v\u00ednculos saud\u00e1veis. Psic\u00f3logo cl\u00ednico em Lisboa.","og:url":"https:\/\/nunotomazsantos-psicoterapia.pt\/?p=66107","article:published_time":"2026-04-27T16:35:18+00:00","article:modified_time":"2026-04-27T16:35:19+00:00","article:publisher":"https:\/\/www.facebook.com\/nuno.tomaz.santos.psicologia.psicoterapi","article:author":"https:\/\/www.facebook.com\/share\/1GyuaZZZCF\/","twitter:card":"summary_large_image","twitter:title":"Amar Sem Desaparecer - Nuno Tomaz Santos - Psicoterapia","twitter:description":"Reflex\u00f5es Para Al\u00e9m do Tempo da Sess\u00e3o Depois de mais uma semana de trabalho cl\u00ednico, dei por mim a regressar a uma frase escutada no final de uma sess\u00e3o, dita de forma simples, quase envergonhada, como tantas verdades profundas costumam surgir: \u201cComo \u00e9 que eu continuo a gostar de algu\u00e9m que me fez mal?\u201d Noutra Amar sem desaparecer: psicoterapia para depend\u00eancia afetiva, dor relacional, autoestima e v\u00ednculos saud\u00e1veis. Psic\u00f3logo cl\u00ednico em Lisboa."},"aioseo_meta_data":{"post_id":"66107","title":null,"description":"#post_excerpt Amar sem desaparecer: psicoterapia para depend\u00eancia afetiva, dor relacional, autoestima e v\u00ednculos saud\u00e1veis. Psic\u00f3logo cl\u00ednico em Lisboa.","keywords":null,"keyphrases":{"focus":{"keyphrase":"depend\u00eancia","score":63},"additional":[]},"primary_term":null,"canonical_url":null,"og_title":null,"og_description":null,"og_object_type":"default","og_image_type":"default","og_image_url":null,"og_image_width":null,"og_image_height":null,"og_image_custom_url":null,"og_image_custom_fields":null,"og_video":"","og_custom_url":null,"og_article_section":null,"og_article_tags":null,"twitter_use_og":false,"twitter_card":"default","twitter_image_type":"default","twitter_image_url":null,"twitter_image_custom_url":null,"twitter_image_custom_fields":null,"twitter_title":null,"twitter_description":null,"schema":{"blockGraphs":[],"customGraphs":[],"default":{"data":{"Article":[],"Course":[],"Dataset":[],"FAQPage":[],"Movie":[],"Person":[],"Product":[],"ProductReview":[],"Car":[],"Recipe":[],"Service":[],"SoftwareApplication":[],"WebPage":[]},"graphName":"BlogPosting","isEnabled":true},"graphs":[]},"schema_type":"default","schema_type_options":null,"pillar_content":false,"robots_default":true,"robots_noindex":false,"robots_noarchive":false,"robots_nosnippet":false,"robots_nofollow":false,"robots_noimageindex":false,"robots_noodp":false,"robots_notranslate":false,"robots_max_snippet":"-1","robots_max_videopreview":"-1","robots_max_imagepreview":"large","priority":null,"frequency":"default","local_seo":null,"breadcrumb_settings":null,"limit_modified_date":false,"ai":{"faqs":[],"keyPoints":[],"schemas":[],"titles":[],"descriptions":[],"socialPosts":{"email":[],"linkedin":[],"twitter":[],"facebook":[],"instagram":[]}},"created":"2026-04-27 16:35:19","updated":"2026-08-31 15:08:04","seo_analyzer_scan_date":null,"focus_keyword":"depend\u00eancia","additional_keywords":null,"truseo_locale":null},"aioseo_breadcrumb":"<div class=\"aioseo-breadcrumbs\"><span class=\"aioseo-breadcrumb\">\n\t\t\t<a href=\"https:\/\/nunotomazsantos-psicoterapia.pt\/\" title=\"Home\">Home<\/a>\n\t\t<\/span><span class=\"aioseo-breadcrumb-separator\">\u00bb<\/span><span class=\"aioseo-breadcrumb\">\n\t\t\t<a href=\"https:\/\/nunotomazsantos-psicoterapia.pt\/?cat=1\" title=\"Uncategorized\">Uncategorized<\/a>\n\t\t<\/span><span class=\"aioseo-breadcrumb-separator\">\u00bb<\/span><span class=\"aioseo-breadcrumb\">\n\t\t\tAmar Sem Desaparecer\n\t\t<\/span><\/div>","aioseo_breadcrumb_json":[{"label":"Home","link":"https:\/\/nunotomazsantos-psicoterapia.pt\/"},{"label":"Uncategorized","link":"https:\/\/nunotomazsantos-psicoterapia.pt\/?cat=1"},{"label":"Amar Sem Desaparecer","link":"https:\/\/nunotomazsantos-psicoterapia.pt\/?p=66107"}],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/nunotomazsantos-psicoterapia.pt\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/66107","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/nunotomazsantos-psicoterapia.pt\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/nunotomazsantos-psicoterapia.pt\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/nunotomazsantos-psicoterapia.pt\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/nunotomazsantos-psicoterapia.pt\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=66107"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/nunotomazsantos-psicoterapia.pt\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/66107\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":66108,"href":"https:\/\/nunotomazsantos-psicoterapia.pt\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/66107\/revisions\/66108"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/nunotomazsantos-psicoterapia.pt\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=66107"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/nunotomazsantos-psicoterapia.pt\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=66107"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/nunotomazsantos-psicoterapia.pt\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=66107"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}